horiz_macunaimaEntre os diversos pontos positivos do retorno de Luiz Felipe Scolari à seleção brasileira está a mudança de postura da equipe. Ao mesmo tempo em que começou a ganhar e jogar bem, o time passou a atuar com dedicação e garra, uma transformação percebida, do ponto de vista simbólico, pelo fim das comemorações ridículas envolvendo dancinhas e outras coisas. Nos dois últimos amistosos, entretanto, a situação mudou.

Contra Honduras, surgiram os primeiros indícios. Após a celebração do quarto gol, William e David Luiz trocaram tapinhas estranhos. No quinto gol, Hulk dançou axé, ladeado por Robinho. Contra o Chile, a coisa ficou escancarada. Hulk repetiu a comemoração, de forma mais comedida, é verdade, mas o segundo gol, de Robinho, trouxe de volta as odiosas celebrações. A foto está no alto deste post. O vídeo pode ser conferido aqui.

É curioso que o retorno desse tipo de comemoração coincida com a volta de Robinho à seleção. O “presidente da resenha”, segundo Galvão macunaima2_ai_que_preguicaBueno, é um dos símbolos maiores da seleção macunaíma, cuja postura é às vezes apresentada sob perspectiva positiva, com os codinomes malemolência, malandragrem, alegria e atrevimento.

A postura macunaíma, entretanto, é o caráter mais horrendo do Brasil: preguiçoso, indiferente, e que não se importa com o resultado de suas ações. É o reino do “qualquer coisa está bom”. No futebol, poucos atos representam o descaso de forma mais clara que o cumprimento de Robinho a Zidane após a lenda francesa ter humilhado o Brasil em Frankfurt em 2006.

O aparente retorno da postura macunaíma coincide, também, com a mudança de status da seleção brasileira. Após a Copa das Confederações, o Brasil voltou a ser favorito (para alguns, o principal) ao título em 2014. É uma condição que, inevitavelmente, pode insuflar os egos dos jogadores e fazê-los pensar que a malemolência pode garantir algum título a alguém.

Para cessar tal comportamento, bastaria aos jogadores perguntarem a si mesmos: Cristiano Ronaldo e Messi dançariam um axezinho durante a Copa do Mundo? Pirlo e Schweinsteiger rebolariam? E Iniesta e Robben? A resposta, muito provavelmente, é não.

Postado por José Antonio Lima

 

Fonte: Esporte Fino