Espanha x Nigéria - Copa das Confederações 2013Neste domingo eu tive o prazer de ver mais uma vez, no estádio, a melhor geração da história do futebol espanhol e uma das mais marcantes desde a criação do esporte. Agradeço a minha profissão por isso. Não por acaso são duas Euros conquistadas, em 2008 e 2012, e, como recheio, uma Copa do Mundo. A vitória sobre a Nigéria por 3×0 também representou o 28º jogo oficial sem derrota da equipe, recorde absoluto entre seleções.

Ainda assim, apesar dos jogadores brilhantes, de atuações inesquecíveis (como na semifinal da Copa de 2010 contra a Alemanha, na final da Euro 2012 contra a Itália ou no primeiro tempo contra o Uruguai na semana passada) e de uma comissão técnica liderada por um técnico monstruoso, a Espanha de Vicente Del Bosque é acusada de jogar um futebol chato e tem convivido com vaias durante os jogos da Copa das Confederações no Brasil. Foi assim contra o Uruguai, no Recife, contra o Taiti, no Rio e também na Arena Castelão, em Fortaleza.

As vaias ocorrem por duas razões iniciais e evidentes. A primeira é a tendência esquisita da torcida optar pelo time mais fraco. Não sei de onde isso surgiu, nem o motivo, talvez o espírito macunaíma de sempre, mas existe e é uma tendência muito forte aqui no Brasil, em todos os esportes. A segunda é tentar exercer uma pressão sobre o principal adversário a ser batido pelo time de Felipão. “Espanha, pode esperar, a sua hora vai chegar”, foi uma poesia com rima rica cantada no Castelão, por exemplo.

Uma terceira razão tem potencial de residir no costume que o torcedor brasileiro tem em torcer por equipes ruins. Como o nivelamento por baixo é notável e perene, o despeito aparece quando a Espanha desfila seu talento por aqui. É uma reação infantil em massa de quem não tem argumento e, então, prefere a vaia e o xingamento e não o aplauso, a admiração e o reconhecimento de estar vendo um time especial, numa lição de imaturidade legítima, mas lamentável e pueril.

Espanha x Nigéria - Copa das Confederações 2013Ver o refinamento dos espanhóis em campo enquanto milhares de pessoas optam pela vaia sistemática é uma ofensa ao futebol e, confesso, me causa tristeza e uma certa indignação. A equipe é extremamente inteligente. Tem na habilidade e na paciência duas grandes características. Se não bastasse, é um time provocativo, que gosta da bola, da movimentação. Faz poucas faltas, se defende atacando, toma poucos gols, faz muitos, valoriza o futebol, convida o adversário a jogar limpo e a superar a sua filosofia. Seus jogadores são estrelas e entendem perfeitamente o que é atuar priorizando o coletivo. Tudo que qualquer torcedor brasileiro gostaria de ter mas, como não tem e não vai ter, resolve esculhambar.

Sobre o jogo, é relevante destacar que a Nigéria não fez uma partida ruim, pelo contrário, mas foi bem inferior a Espanha. No total, 13 finalizações contra 22 dos espanhóis, além de 42% de posse de bola. Incentivada o tempo todo pela torcida, a equipe africana deu trabalho, perdeu chances claras para marcar. Valdés e a sua defesa levaram muitos sustos. Foi um grande jogo, nada de chato, com dois gols de Alba e um de Fernando Torres (está na hora de ser titular na vaga de Soldado, que hoje deu uma de recruta zero e perdeu três gols incríveis).

E vale o registro: o Castelão funcionou muito bem. Dos novos estádios prontos do Nordeste, é, disparado, o mais adequado e certamente estará entre os melhores do país quando todos estiverem funcionando. Voluntários bem preparados, nenhum ponto cego, boa sinalização interna, sala de imprensa adequada para o tamanho do jogo, banheiros amplos e ótimas áreas comuns para lojas oficiais e eventos, É verdade que alguns detalhes do acabamento poderiam ser melhores, que as televisões dos bares poderiam estar ligadas, que as filas dos mesmos bares precisam diminuir, que o papel para enxugar a mão no banheiro precisa ser reposto e que é um exagero fazer o torcedor ter que percorrer dois quilômetros andando para chegar ao estádio mas, ainda assim, no geral, a nota é positiva.

Postado por Fernando Graziani, Esporte Fino

Fonte: Esporte Fino