ElefantazoSempre que uruguaios e brasileiros se enfrentam em qualquer decisão, vem à tona o Maracanazo e as suas cicatrizes. Afinal de contas, a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Estádio do Maracanã, continua sendo a maior dor já sofrida pela Seleção Brasileira em toda a sua vitoriosa história.

E nesta quarta-feira, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, mais uma vez a seleção de camisa azul-celeste estará no caminho do Brasil. A competição agora é a Copa das Confederações e a fase, semifinais. Embora o início deste clássico sul-americano esteja marcado para às 16h00, o jogo na verdade já começou. Ontem, na coletiva de imprensa, o capitão do Uruguai, Diego Lugano, colocou todos os ingredientes possíveis no caldeirão fervente que é, e sempre será, quando estes dois vizinhos sul-americanos se encontram para decidir uma vaga em qualquer competição. Entre outras coisas, Lugano enfatizou as simulações de falta de Neymar, o principal jogador do Brasil; deixou claro que o seu time não gostou da escalação de um juiz chileno para este jogo (“O Brasil deu a Copa América de 2015 para os chilenos. E, por coincidência, um chileno vai apitar a nossa semifinal. São coincidências.”); e que o Brasil faz tempo não pratica mais o “jogo bonito”.

Mas o fato curioso e prato cheio para os supersticiosos é que esta geração uruguaia vem eliminando, nos últimos anos, os anfitriões dos torneios que disputam. Assim foi com a Venezuela, na Copa América de 2007, quando a seleção Vino Tinto foi eliminada pelos uruguaios nas quartas de final. A história se repetiu em 2010, na Copa do Mundo, quando, ainda na fase de grupos, a Celeste não tomou conhecimento dos sul-africanos e os derrotaram por 3 a 0, jogando praticamente por terra as chances dos anfitriões de avançarem para a fase de oitavas de final. E, para finalizar, os uruguaios eliminaram os argentinos na Copa América de 2011, em Santa Fé, na decisão por pênaltis. O estádio de Santa Fé é conhecido por “El Cementerio de Los Elefantes”, e os jornais uruguaios não perderam a chance de tirarem um sarro dos seus hermanos argentinos: apelidaram esta derrota de Elefantanzo, fazendo alusão ao Maracanazo de 1950.

A torcida brasileira espera que esta escrita não aconteça hoje e que não haja nenhum “Mineirãozazo” na história da Seleção Brasileira. Mas uma coisa é certa: Brasil e Uruguai é sempre um jogo de tirar o fôlego de qualquer um.