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Dizem as estatísticas que a Dinamarca tem um dos maiores IDHs do mundo. Mas mesmo lá, onde poderíamos achar que tudo são flores, a sociedade também tem suas falhas…

Há aproximadamente 5 mil sem-tetos no país (um número ridiculamente baixo perto de algumas republiquetas por aí) e a expectativa de vida das pessoas deste grupo é de aproximadamente 20 anos a menos que a média nacional.

E o que fizeram os dinamarqueses? Incentivaram os sem-tetos a jogar futebol…

Não foi preciso muito para se chegar à conclusão de que, um esporte tão social e divertido como o futebol, traria um outro norte às pessoas.

Marco Glentvor

Marco Glentvor costumava ficar nas ruas de Copenhague e usar todos os tipos de drogas que ele poderia ter à sua disposição; o comportamento de Peter Fromm sempre foi muito agressivo enquanto vivia nas ruas da capital dinamarquesa.

Ambos foram monitorados pelo professor Peter Krustrup, especialista em Esporte e Saúde da Universidade de Copenhague, durante 12 semanas em que passaram a jogar futebol com outras pessoas na mesma condição.

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Além de todas as melhorias físicas e de saúde inerentes a uma prática esportiva, o que mais mudou na vida de ambos foi a visão do mundo e da própria existência.

“Quando eu entrei para este projeto, eu passei a ter mais energia. Algumas portas se abriram e, de repente, eu percebi que eu queria ter objetivos na minha vida”, disse Marco. “Agora, eu apenas quero viver. Eu quero ser melhor a cada dia. Foi uma luta bem difícil, mas eu estou aqui hoje”, disse Marco.

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Thomas Hye, fundador da Ombold, uma associação que organiza os jogos de futebol entre os sem-tetos, não tem dúvida de que o esporte bretão tem os seus inúmeros benefícios psicológicos. “É sobre a alegria de fazer parte de algo, juntamente com outras pessoas. Perder, sem perder a cabeça; sentir-se feliz ao marcar um gol e tentar fazer da melhor maneira possível da próxima vez”.

Hye e Krustrup acreditam que outros países deveriam criar campeonatos de futebol para as pessoas que vivem nas ruas.

“A sociedade tem uma responsabilidade para com os sem-teto e socialmente desfavorecidas”, disse Krustrup. “E o futebol é uma solução fácil. Tudo que você precisa é de uma bola e de dois gols. Os efeitos são rápidos e acentuados em relação à saúde e ao bem-estar dos envolvidos.”

Marco Glentvor agora tem um emprego estável como ajudante em uma igreja de Copenhague…

E Peter Fromm? Além de se tornar o goleiro da seleção dinamarquesa de sem-tetos, está bem longe das drogas…

Fonte: BBC